Programa que prevê aumento de produtividade contempla Mucuri e outros municípios do extremo sul
A Bahia tem o terceiro maior rebanho de gado leiteiro do país, estimado em 1,7 milhão de vacas ordenhadas, mas registra baixa produtividade. O estado ocupa a sétima posição no país com a produção de 965 milhões de litros de leite por ano. Segundo a Federação da Agricultura e Agropecuária do Estado da Bahia, FAEB, o déficit no Estado é de 600 milhões de litros por ano uma vez que o consumo de leite no estado alcança a casa dos 1,5 bilhão de litros por ano e está em constante aumento da demanda. O presidente da FAEB, João Martins, aposta no programa Geraleite, da entidade, que tem como objetivo tentar reverter à situação. Os projetos totalizam investimentos de R$ 1,2 milhão já para o próximo ano. “Temos de importar 1/3 do leite consumido na Bahia, mesmo possuindo o terceiro maior rebanho leiteiro do país. Constatamos que há uma baixa utilização de tecnologia de produção por parte do produtor, que, em sua maioria, possui também um baixo nível de profissionalização dentro da cadeia produtiva do leite.
Equipamentos, recursos naturais e os próprios rebanhos não são utilizados de forma adequada. Precisamos reverter essa situação e desenvolver esse importante segmento do agronegócio baiano, que é a pecuária de leite. Para isso, contamos com o apoio de parceiros fundamentais, incluindo o Governo do Estado, que colocou esse projeto pioneiro em execução”, cita.
A ideia com a unificação do Geraleite ao Balde Cheio da Embrapa é ampliar a produção leiteira do Estado. Inicialmente serão 13 municípios baianos beneficiados tais como Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça, Prado, Itamaraju, Jucurussú, Teixeira de Freitas, Veredas, Ibirapuã, Lajedão, Intanhém e Medeiros Neto. Cada um desses municípios possui unidades demonstrativas de produção, que funcionam como modelos para as demais propriedades, assistidas pelos técnicos, e devem se espelhar nos resultados alcançados nas unidades.
Mais unidades produtivas
Uma das promessas da unificação envolve o aumento da demanda das unidades produtivas dos municípios que hoje produzem em média 150 litros por dia para 200 litros diários.
Segundo o técnico do campo do Sistema FAEB/Senar, Washington Serafim, a integração das políticas adotadas no campo com as ações do governo estadual se fazem necessárias para o êxito do trabalho. “Havendo integração e o apoio do Estado atingiremos as metas com maior rapidez. Acreditamos que em até sete anos a Bahia se torne autosuficiente na produção de leite”, avisa.
Ele destaca que o consumo interno aumenta a cada dia a partir das ações políticas de melhoria da renda familiar. “O crescimento do consumo está maior em razão da entrada de faixas da população que antes não tinham acesso ao produto em virtude do preço. Se conseguirmos corrigir este déficit de forma permanente e acompanhar a aceleração do consumo conseguiremos acabar com a deficiência no Estado”, cita.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Mucuri, um dos municípios beneficiados, Pedro Correia Leite, a proposta de união dos programas surgiu dos próprios produtores da região. “Temos uma demanda muito alta pelos projetos. Então, apresentamos essa proposta de união, o que fortaleceria as ações na região”, afirma Pedro. Para o presidente do Sindicato de Mucuri, essas ações interagem diretamente com a melhora da qualidade de vida do produtor. “Temos um impacto direto na renda. Através dos projetos, a produção ganha mais força e maior qualidade, o que beneficia o produtor”, diz.